sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
SAUDADE DOI - Miguel Falabella
SAUDADE DOI Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é a saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade de um filho que estuda fora. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, Ou quando alguém ou algo não deixa que esse amor siga, Ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é basicamente não saber. Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada; se ele tem assistido às aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial; se ela aprendeu a estacionar entre dois carros; se ele continua preferindo Malzebier; se ela continua preferindo suco; se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados; se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor; se ele continua cantando tão bem; se ela continua detestando o MC Donald's; se ele continua amando; se ela continua a chorar até nas comédias. Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos; não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento; não saber como frear as lágrimas diante de uma música; não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer; Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo e o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...
Miguel Falabellasábado, 28 de novembro de 2009
UFRRJ - Rural tem contadores de estória
| Rural tem contadores de estória |
| O grupo Igipilapas é um grupo de contadoras de estórias que nasceu junto com o Laboratório de Desenvolvimento Humano do Dep.to Economia Doméstica e de trabalhos acadêmico desenvolvidos na iniciação científica e estágio supervisionado neste tema sob a coordenação da Profa. Gisele Souza (ICHS/DED). A contação de estória é uma atividade conhecida dos séculos passados na qual toda a família ouvia, sendo compartilhada uma parcela de conhecimento, tradição e valores. A ideia principal do grupo surgiu para incentivar a leitura tanto em crianças quanto em adultos. Neste contexto, oficinas de contação tem sido realizadas para crianças do CAIC, professores, alunos de diferentes cursos da UFRRJ com várias técnicas de contação são utilizadas. Dentre elas, há a contação em tapetes, uma abordagem criada na França pela educadora Clotilde Hammam, na qual cenário e personagens são costurados à mão ou máquina de costura. Inicialmente, compõem o grupo, Gisele Souza e as discentes do curso de Economia Doméstica Alicia de Castro, Samantha Meneses, Deise Silva, Leiliane Coelho e Gisele Martins. O grupo conta com a orientação e participação na confecção do material da técnica Luanda do Santos, Profa. Edilene Lagedo, Marcela Abreu e Daiane Juliasse, monitora da área de vestuário e têxteis e o aluno do curso de História, Vitor Oliveira no violão (e porque não na costura também?)Uma oficina de contação de estória com carga horária de 24 horas será realizada no inicio do próximo semestre, para a formação de novos contadores haja visto a participação de mais de 120 pessoas por oficina no evento da Prodocência! |
| Postado em: 27/11/2009 às 17:06 Fonte: www.ufrrj.br |
sábado, 7 de novembro de 2009
sábado, 31 de outubro de 2009
Oficina da Voz Clarisse Grova
Teatro Ulysses Guimarães
Orquestra Republicana








