COMETER CRIMES, PEDIDO DE SOCORRO
autor: Nilton Bustamante
Lendo Paul Ferrini, leva-se a concluir que o ser que é humano ao cometer um crime, é pedido inconsciente de socorro.
Ao
tornar-se criminoso, em ato de guerra ao mundo, fazendo uso de todas as
formas de agressão, remonta de seu interior o mal que julga ser vítima,
traz à tona, traz ao mundo exterior a reprodução – a seu modo – de todo
o seu sofrimento para que a sua figura de “vítima” enfim esteja diante
dos olhos do mundo. Quando a Justiça dos homens lhe condena os crimes,
ele, o criminoso, intimamente, acredita que está-se condenando aquele
mal, aquele seu sofrimento que é igual, estão lhe fazendo justiça também
ao que lhe pesa os recônditos da alma que ninguém via, ninguém sabia,
ou não queria saber. A dor lançada é a dor antes recebida. Por
associação, alegra-se ao imaginar que há o “reconhecimento” da sociedade
de que ele realmente é vítima, é sofredor. No fundo, no íntimo, o ser
que se é humano ao cometer um crime, deseja que o mundo peça-lhe perdão.
Quem faz o mal, já se coloca em condição de que sempre o “outro” se
redima; chama para si atenção, consideração, carinho, por sorte, amor.
Mas, quantos não se satisfazem nesse vício, no sadismo de querer que o
“outro” também sinta, saiba, o mesmo, a mesma dor, o mesmo amargor, o
mesmo sofrer?
É bom lembrar que “criminoso” somos nós, os homens,
que no dia-a-dia falseiam, mentem, agridem, traem, viciam e viciam-se,
semeiam intrigas, rancores, matam, ferem, roubam os bens e sonhos...
Sem
procurarmos os “culpados”, sem querer saber se o criminoso é o
resultado de si mesmo, o seu próprio carrasco, algoz de autoflagelação,
ou se é apenas quem pena nas mãos dos intolerantes de almas rudes que
instigam os piores sentimentos, ou de tudo um pouco, o que vale é
compreender que o ser que é humano, também é deus, pode – e deve – Amar
divinamente.
E Paul Ferrini nos leva a mais: “Você é juiz. Você é o júri. Você é o réu.” (Eis, a consciência.).
“Você
vê aquilo que escolhe ver, pois toda percepção é uma escolha. E quando
você parar de impor seus significados àquilo que se vê, sua visão
espiritual se abrirá livre de julgamentos.”
“As fofocas, os ataques verbais mostram os próprios sentimentos de vergonha e de rejeição emocional.”
“Projetamos nossas culpas nos outros, por isso odiamos.”
Feliz daquele que não precisa perdoar, nada lhe provoca, nem lhe agride, pois compreende a tudo e a todos.
A
cada ato a responsabilidade das conseqüências. A Lei de Causa e Efeito é
princípio imutável universal. Mas, todo e qualquer sistema que somente
pune, não reeduca. “Somente aquele que está sofrendo agride os outros
(mesmo de maneira sutil).” Já que habitamos num Educandário a céu
aberto, um hospital planetário com mentes viciadas e organismos
doentios, é o dever de todo aquele que busca oferecer o melhor de si,
ainda que timidamente, substanciar o equilíbrio, a harmonia, a cura de
si e a cura das doenças sociais e espirituais que afligem a Humanidade,
conceder sem restrição ao mundo (ao micro e ao macro) o mais puro e
melhor sorriso que se possa sorrir, o melhor gesto de cordialidade que
se possa conceber, a melhor vibração mental de paz, gentileza,
tolerância e amor em prece sincera de esperança e apaziguamento, ainda
que em doses homeopáticas, ajudará, assim, que nasça o brilho de um novo
amanhecer nos corações que antes eram somente noites traiçoeiras de
vinganças, de desesperos e tempestades de incertezas.
O estrago
do homem é mais, é maior, que a do menino, mas educa-se a criança
malcriada, mal conduzida, mal servida de amor e estimula-se ao bom
caminho nas escolas da vida com ênfase nas qualidades morais, ofereça-se
a preparação educacional e melhores condições ao exercício do trabalho
que dignifica e revigora, surgirá assim o adulto repleto, completo, para
servir com amor, religiosidade interligada a tudo que pulsa vida, sem
mais precisar chamar atenção para si, já vencido o próprio egotismo.
Lembremos o que nos ensina o grande poeta português, Guerra Junqueiro: “Educai a criança”...
(Poema psicografado pelo médium Chico Xavier em 14 de julho de 1933, em Pedro Leopoldo. Dedicado a Júlio Leitão.)
EDUCAI A CRIANÇA
(Guerra Junqueiro)
Um coração de criança
É uma urna de amor, de inocência e esperança.
É um jasmim em botão de imácula pureza
Perfumando o jardim do Amor e da Beleza.
É uma flor aromal. Uma Ave pequenina,
Que nos recorda a luz puríssima, inicial
Da morada divina!
Mas a alma infantil, como leiva de terra.
Guarda, cria e produz aquilo que ela encerra!
Coração original, terra pura e inocente
Que desenvolve em si a boa e má semente.
Se lhe deres o Amor que salva e regenera,
A esperança no Céu que se resigna e espera,
Os exemplos do Bem que esclarece e ilumina,
Os archotes da Fé que sonha e raciocina.
A lição do Evangelho em atos de bondade,
Os perfumes liriais da flor da Caridade.
A verdade, a Luz e o Amor - a trilogia
Que compõe no Universo os hinos da Harmonia
Vê-la-eis produzir dessas espigas d'ouro
De um dos trigais de abril imensamente louro.
Se lhe derdes, porém, as sementes do vício
Tereis o pantanal, a chaga, o meretrício,
A ferida social que sangra, que supura,
Os venenos letais da Dor e da Amargura!
Em vez do sol que aclara uma vida sublime,
Vereis a lava hostil que favorece o crime.
Educai, educai o coração da infância,
Roubai-o da torpeza do mal e da ignorância.
Plantai no coração dos pobres pequeninos
As árvores do Bem cheias de dons divinos...
Elevai-os na Terra aos píncaros da Luz,
Com os exemplos de Amor da vida de Jesus!
O coração da criança
É um sacrário de amor, de inocência e esperança.
Ponde nesse sacrário a hóstia que transude
A chama da Verdade e a chama da Virtude
E tereis praticado o ensino do Senhor
Que fará deste mundo um roseiral de Amor!